O deputado Raimundo Cutrim (PCdoB) fez uma
avaliação, na sessão desta quarta-feira (28), sobre a demissão do diretor-geral
da Polícia Federal (PF), Fernando Segovia, que trabalhou no Maranhão e em torno
do sigilo de inquéritos criminais.
Ele
chamou Segovia de excelente profissional, mas criticou por ter dado opinião
sobre andamento de inquérito policial, como estaria acontecendo no Maranhão em
relação a contrabando e descaminho, que seria de competência da PF.
Cutrim
explicou que o Código do Processo Penal, no artigo 20, diz textualmente que o
inquérito policial é sigiloso. “Durante as investigações, delegado e secretário
não podem falar sobre as investigações. O que a gente testemunha - vamos dar
exemplo aqui do Maranhão - é que as pessoas estão depondo e o secretário já
está tentando adivinhar o que ele vai dizer futuramente. Isso é ato de
improbidade administrativa. O Ministério Público tem o controle externo da
Polícia Judiciária do Estado. Não podemos falar na imprensa de fatos relacionados
com a investigação, porque corremos o risco de destruir a vida das pessoas,
desmoralizar publicamente”, acentuou.
Segundo
o deputado, o secretário de Segurança de Estado tem só atividade administrativa
e não pode estar no comando de operações.
O parlamentar
contou que ele próprio sofreu esse tipo de publicidade negativa. “As pessoas,
no afã de querer desmoralizar, jogaram na imprensa. Então, são fatos dessa
natureza que não se consertam mais. O passado ficou, mas vamos para frente
tentar que outras pessoas sejam destruídas por irresponsabilidade de alguns
gestores”, explicou.
De
acordo com o deputado, que é delegado da PF, a polícia não arquiva inquérito. É
o Ministério Público que faz a solicitação. “Agora, na Polícia Federal, como
sou oriundo da instituição e ajudei na construção, nos pilares, no alicerce da
PF, se observa que o delegado é independente. Lá ninguém interfere, nem
presidente da República, então, os delegados têm sua independência. Somente na
década de 80 para frente, os delegados começaram a ser independentes, naquela
época e, principalmente, agora”, afirmou.
O
deputado falou também sobre a proposta de acabar com a Academia da Polícia
Civil. “Agora já vejo aqui naquele projeto, eles desmontando a Academia para
ter Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros juntos, para diminuir
os gastos. Cada um quer ter a sua Academia. Ali poderia pegar um pedaço ali do
Parque de Exposição e fazer uma grande Academia”, propôs o parlamentar, ao
finalizar o seu discurso.

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