“O País, o Estado e os municípios atravessam
a mais aguda crise econômica das últimas décadas. Não é segredo para ninguém.
Estamos sofrendo na pele, mas isso tem que nos levar a fortalecer a nossa
unidade, a falarmos a mesma linguagem, na busca de equacionamento para os
diversos problemas que nos afligem”.
A
afirmação foi do presidente da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão,
Cleomar Tema, na tarde desta quarta-feira (7), durante reunião de trabalho com
dezenas de prefeitos e prefeitas, no auditório da entidade, onde foram
discutidos assuntos relacionados a diversas áreas, como Educação e também a
recente Instrução Normativa do Tribunal de Contas do Estado (TCE), sobre a
proibição de liberação de recursos para o Carnaval por parte do Estado para os
municípios que estiverem com atraso na folha de pagamento.
Numa
explanação técnica, o assessor jurídico da entidade, Ilan Kelson abordou
temáticas como a jornada de trabalho, hora\aula, planejamento para 2018, Plano
de Cargos, Carreiras e Salários e concurso público para professores, dentro das
orientações da FAMEM aos gestores municipais. Destacou ainda a defasagem
existente na área, o que prejudica sensivelmente os municípios, ao afirmar que,
entre 2010 e 2015, o piso salarial da categoria teve uma elevação da ordem de
87,9%, enquanto o aumento dos recursos do Fundeb foi de apenas 59% no mesmo
período.
Autor da
reivindicação que provocou a reunião, o prefeito de São Mateus, Miltinho
Aragão, foi enfático: “É no auge da crise que se encontra a verdadeira solução.
Estamos no auge de uma crise, estamos numa agonia, sem saldo financeiro para
que se possa\estabelecer uma educação de qualidade. Temos que adotar um
plano uniforme no que diz respeito à jornada de trabalho, quanto à hora\aula,
até para evitarmos que os sindicatos da categoria venham com o discurso de
perseguição. E Isso deve ser implementado é de norte a sul do País”, destacou,
Miltinho Aragão, ao salientar que falta saúde financeira a todos os municípios.
Diversos
prefeitos se pronunciaram e elencaram uma série de problemas enfrentados na
área da Educação, a exemplo de professores com mais de duas matrículas, o
excessivo número de coordenadores e também a elevada apresentação de atestados
médicos por parte de alguns educadores, o que propicia um pífio resultado no
setor.
De acordo
com a chefe de Gabinete do município de São Mateus, Alda Aragão, para contornar
a situação de crise, foram adotadas algumas medidas emergências e diminuir os
gastos. “A solução que encontramos foi reorganizar o financeiro, adequar a
jornada de trabalho de 25 h/aula e 40 h/aula, revisar o sistema educacional,
corrigir os desvios de função, permutas, bem como a revisão da titulação de
muitos docentes”. Destacou Alda Aragão.
CONVÊNIOS DE CARNAVAL
Outro
assunto abordado durante o encontro dos prefeitos é relacionado à portaria, nº
067/2018, baixada pela Secretaria de Cultura do Estado, determinando que o
governo do Maranhão somente efetuará transferências voluntárias de recursos
para municípios, cujos gestores, comprovem, através de declaração que deve ser
entregue na SECTUR, que estão com os salários dos servidores públicos
rigorosamente em dia.
A medida,
de acordo com o secretário, visa adequar a pasta as diretrizes estabelecidas
pela Instrução Normativa, aprovada pelo Tribunal de Contas do Estado do
Maranhão (TCE/MA) no mês passado, que dispõe sobre despesas com festividades
realizadas pelo poder executivo municipal.
De acordo
com a IN, são consideradas ilegítimas para os fins do artigo 70 da Constituição
Federal, qualquer despesa custeada com recursos públicos municipais – inclusive
aqueles decorrentes de contrapartida em convênio – com eventos festivos quando
o município estiver em atraso com o pagamento da folha salarial (incluindo
terceirizados, temporários e comissionados); ou em estado de emergência ou de
calamidade pública decretado.
A FAMEM
entende que a norma é inconstitucional e vem mantendo conversações com o
presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto, buscando a revogação da
medida.
Na semana
passada, a entidade entregou um parecer técnico ao dirigente do Legislativo
Estadual, mostrando a inconstitucionalidade da decisão do TCE. Nesta
quinta-feira deverá haver um novo encontro entre FAMEM e AL, para a discussão
do assunto.

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