O
presidente Michel Temer afirmou nesta segunda-feira, em entrevista à rádio
Bandeirantes, que gostaria que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
disputasse as eleições de outubro e fosse derrotado no voto, alegando que uma
derrota do petista nas urnas “pacificaria” o país.
“Do ponto de vista do quadro
político eu pessoalmente apreciaria que ele não tivesse essas
responsabilizações todas, pudesse disputar a eleição e fosse vencido no voto.
Isso pacificaria o país. Essa fórmula da sua não participação, tensiona o
país”, defendeu Temer.
“Eu pessoalmente penso que, do
ponto de vista essencialmente político, se ele tivesse como participar das
eleições e eventualmente ser derrotado, seria mais tranquilo.”
Questionado se o ex-presidente,
condenado na semana passada em segunda instância por corrupção passiva e
lavagem de dinheiro, estaria “morto politicamente”, Temer avaliou que não.
Poderia, disse, estar morto “eleitoralmente”, se não puder concorrer.
“A figura dele é de muito
carisma, não é sem razão que ele ocupa as primeiras posições em toda e qualquer
análise”, disse. “Dizer que a imagem dele, a palavra dele, a presença passada
dele não vai ter alguma influência, aí acho que morto ele não está.”
Ao tratar de seu governo, Temer
afirmou que está satisfeito com o que tem feito em seu governo e aproveitou sua
impolularidade – como lhe sugeriu o publicitário Nizan Guanaes-- para fazer o
que considerava bom para o país.
O presidente reafirmou que não
será candidato à reeleição e apenas em maio deixará claro quem irá apoiar. “Eu
quero alguém que defenda meu legado”, disse.
Temer reclamou novamente do que
diz ter sido uma campanha pessoal contra ele e disse que irá dedicar os seus
últimos seis meses de governo a recuperar sua imagem.
“Fui desmoralizado por alguns
embates de natureza moral. Nesses 6 meses vou me dedicar à recuperação dos meus
aspectos morais. Não vou admitir mais que digam presidente trambiqueiro, que
fez falcatruas”, reclamou.
Temer disse ainda que não se
arrependeu em momento algum de ter apontado a deputada federal Cristiane Brasil
(PTB-RJ) para o Ministério do Trabalho e criticou a interferência do Judiciário
em decisões do Executivo.
“A Constituição determina não só
independência dos Poderes mas sua harmonia. Eu prezo a separação dos Poderes. A
competência de nomear ministros é do presidente”, afirmou. “Eu serei respeitoso
com a independência e harmonia dos Poderes. Se no final o Judiciário disser que
não pode, tudo bem. Mas eu creio que seria de bom tom que tivéssemos essa
vitória, que não é do governo, mas do sistema jurídico.”
Cristiane Brasil foi indicada no
dia 3 de janeiro, mas foi impedida de tomar posse por uma liminar do juiz
Leonardo Couceiros, da Justiça Federal em Niterói. Desde então, o governo
sofreu uma série de derrotas e ainda não conseguiu empossar a deputada.
No último revés, depois de a
liminar ser derrubada no Superior Tribunal de Justiça, a presidente do Supremo
Tribunal Federal, Cármen Lúcia, revogou a decisão afirmando que a prerrogativa
sobre o caso é do STF.
O governo quer a deputada,
indicada por seu pai, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, para garantir os
cerca de 15 votos prometidos por Jefferson para reforma da Previdência. (Por
Lisandra Paraguassu)

Nenhum comentário:
Postar um comentário