Temer avisou ao ex-deputado Roberto
Jefferson, presidente nacional do partido, que Sarney vetou a nomeação de
Fernandes, segundo integrantes da Executiva Nacional do PTB.
“O
Palácio me avisou hoje que tinha subido no telhado a nomeação do Pedro
Fernandes, me ligou pedindo que pensássemos um novo nome por causa do problema
de relação do Fernandes com o Sarney”, disse Jefferson ao Estadão/Broadcast. “O presidente Sarney não concorda
com o nome. Ele queria conversar, mas o Fernandes não quis conversar com o
presidente Sarney sobre o Maranhão, Então deu problema.”
Sarney controla o PMDB no Maranhão e pediu
para Temer não nomear Fernandes para não fortalecer politicamente um adversário
histórico, o govenador Flávio Dino (PCdoB). O PTB é base do governo Dino. Em
2014, o comunista desbancou o clã Sarney do Palácio dos Leões, após meio século
de aliados do ex-presidente no poder. Dino disputará a reeleição tendo como
potencial adversária a ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), filha do
ex-presidente.
FILHO
A
posse de Fernandes ocorreria na quinta-feira, 4. O parlamentar havia anunciado
que, após cinco mandatos de deputado, não disputaria a reeleição para dar a
vaga a seu filho Pedro Lucas Fernandes, que é secretário estadual no governo
Dino. Pedro Lucas se elegeu vereador em São Luís (MA), mas assumiu a Agência
Executiva Metropolitana, órgão do Estado, com o ingresso do PTB na base de
Dino.
Temer
pediu a indicação de um novo nome pelo PTB, o que ainda não ocorreu
formalmente. O PTB quer evitar outras indicações e desistências consideradas
abruptas, por causa de composições eleitorais regionais.
“Vamos
aguardar. Não temos pressa, para não parecer que o nome do Pedro Fernandes pode
ser descartado assim. Vamos deixar decantar a crise por uns dez dias. Até que
tenhamos nome de consenso, bem medido e remediado, o secretário executivo (Helton Yomura) pode ir muito bem tocando seu trabalho
como ministro interino”, disse Jefferson.
Em
nota, a assessoria de imprensa de Sarney disse que ele “não foi consultado e
não vetou o deputado Pedro Fernandes”.
O
ministro anterior, deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS), foi exonerado a pedido, na última
sexta-feira. Ele pediu demissão argumentando que iria preparar sua campanha à
reeleição na Câmara, em meio a suspeita de irregularidades em contratos de
informática do ministério, apontados pela Controladoria-Geral da União (CGU).

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